Pode-se dizer que a crise made in USA chegou em "boa hora" para parte da indústria. Isso porque, se 2009 tivesse um crescimento semelhante ao de 2008 (o que estava previsto antes da crise eclodir) a maioria das empresas não teria agilidade para atender a forte demanda, pois a capacidade de produção estava esgotada.
Por isso, depois da marolinha que empurrou as vendas 10% pra cima, é compreensível que as montadoras anunciassem investimentos na ampliação da produção e em novos produtos. Todos parecem concordar que o vigor do setor neste ano de crise não é ocasional, mas que se trata de um crescimento sustentável, e que o Brasil deverá continuar avançando independentemente de possíveis reveses em curto prazo. Há confiança no futuro.
Cledorvino Belini, presidente da Fiat, é um dos mais otimistas. Ele anunciou ontem(1) em São Paulo, investimento de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2010 em vários projetos: a fábrica de colheitadeira em Sorocaba, da Case, a fábrica de usinagem de motores em Piracicaba e a fábrica de motores médios - 1.4 e 1.6 - de Campo Largo, no Paraná. É a última parte dos R$ 6,4 bilhões investidos pela empresa no Brasil de 2008 a 2010. Só no ano que vem Belini projeta o lançamento de 20 modelos.
A Ford deu "um passo importante para a continuidade do crescimento da empresa no Brasil, alinhado à estratégia global da montadora", conforme disse o presidente da empresa no Mercosul, Marcos de Oliveira, ao anunciar investimentos de R$ 4 bilhões de 2011 a 2015. Foi o maior investimento na história da Ford no Brasil num mesmo ciclo.
Mas nos últimos quatro anos a empresa perdeu participação: tinha 12,3 % das vendas em 2005 e hoje tem 9,8% (janeiro a outubro). A operação da empresa no Brasil é a terceira mais importante da Ford Motors Company, com fábricas em São Bernardo do Campo, Taubaté, Camaçari e no Ceará (Troller).
A GM vai investir R$ 2 bilhões na expansão da fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul e no lançamento de uma nova família de carros, voltada ao mercado nacional e exportação de países emergentes. Desse valor, R$ 1 bilhão é financiado pelo BNDES e outros bancos estatais. O investimento na ampliação da fábrica (R$ 600 milhões) vai ampliar a capacidade de produção em Gravataí de 120 mil veículos para 380 mil carros por ano.
A última anunciar investimentos foi a Volkswagen, cujo presidente, Thomaz Schmall, elogiou o comportamento do Brasil na crise. A empresa vai investir R$ 6,2 bilhões até 2014, sendo que 60% deste valor no lançamento de novos carros. O Brasil é uma parte importante do projeto da empresa de se tornar a maior fabricante de veículos em 2018.
Além das quatro grandes, outras montadoras têm planos de investimentos no Brasil, com novas unidades ou ampliação da estrutura já existente.
A expectativa para este ano é de crescimento de 10% nas vendas, o que vai colocar o Brasil como o quinto maior consumidor de carros do mundo.
Joel Leite
Fonte: Agência AutoInforme
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