Fenabrave - SC

04/09/2009

O espaço dos franceses no mercado brasileiro

A Peugeot costuma dizer - em tom de brincadeira, claro - que a marca já teve "100% da frota brasileira". É verdade, isso ocorreu quando a frota era de apenas uma unidade, um Peugeot que desembarcou no Brasil em 1891, trazido por Alberto Santos Dumont. Foi o primeiro automóvel com motor a explosão que rodou no País.

Os franceses sempre tiveram uma ligação muito forte com o Brasil. Com a abertura do mercado, no início da década de 1990, uma marca francesa, a Renault, foi a primeira a construir uma fábrica de carros no Brasil, quebrando a reserva do mercado brasileiro a Fiat, Ford, Volks e GM, que durou décadas.

Além de ter sido pioneira entre as montadoras novas, a Renault inovou com o lançamento de um carro inédito, a Scénic, que inaugurou um segmento e estimulou a concorrência: na esteira do sucesso da minivan, a GM lançou a Zafira e outra francesa, a Citroën, também passou a fabricar no Brasil a Picasso.

 

As francesas abriram novos pólos automobilísticos. A Renault se instalou em São José dos Pinhais, no Paraná, e a PSA construiu a fábrica no Rio de Janeiro, na cidade de Porto Real, próxima da divisa com São Paulo e passou a produzir lá os modelos da Citroën e da Peugeot.

A Renault chegou a ameaçar a Ford, aproximando-se da quarta posição no ranking das marcas mais vendidas em 2000, mas os seus produtos foram envelhecendo e não houve renovação, o que custou caro à montadora. A participação no mercado caiu e a empresa não conseguiu nem manter a quinta posição, perdida para a Honda. Em 2006 a Renault iniciou um plano de reestruturação e investiu US$ 5 milhões na renovação dos carros. Em três anos a empresa lançou seis novos carros, entre eles o Logan e o Sandero. As vendas cresceram e a empresa passou lutar com a marca japonesa pelo primeiro lugar entre as montadoras novas.

A fábrica em Porto Real foi iniciada em 2000 pela PSA, mas desde 1990 a Citroën estava no mercado brasileiro com produtos importados. Tinha o XM e o ZX. O primeiro Citroën feito no Brasil foi a minivan Xsara Picasso, depois vieram o C3 e o furgão Jumper A linha tem também os importados C4 (hatch, sedã, minivam) e C5 (sedã e perua).

 

A Peugeot foi a última francesa a iniciar a produção no País. Instalada no mesmo local da Citroën Grupo PSA), a empresa começou a produzir seu primeiro carro em 2001. O 206 chegou com um desenho inovador e revolucionou o segmento dos hatchs. Mas a marca não investiu em carros novos e estacionou as vendas. Hoje a empresa produz cinco carros no Brasil e importa mais quatro.

A disputa entre as francesas teve momentos de liderança da Renault e da Peugeot. de 2000 a 2004 a Renault manteve a liderança, mas foi superada pela Peugeot em 2005, que se manteve na frente até 2007. No ano passado a Renault voltou a crescer e retomou a dianteira entre as francesas e neste ano também deve fechar na frente (veja gráficos). Já a Citroën, a única que não tem um carro de entrada, esteve sempre na terceira posição, mas é também a única que manteve um crescimento contínuo nesse período. Juntas, as três francesas representam hoje 8,8% do mercado brasileiro, com vendas de 167511 unidades de janeiro a agosto, num mercado de 1,914 milhão de carros e comerciais leves no mesmo período.

Joel Leite

Fonte: Agência  AutoInforme

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