Fenabrave - SC

05/08/2009

Brasil discute modelo para reciclagem de veículos

Nesses tempos de reaproveitamento de material e limpeza planetária, o Brasil começa a discutir o que fazer com as tonelada de lixo resultante dos carros e caminhões que são abandados após o fim da sua vida útil.

Especialistas reuniram-se em São Paulo para conhecer as experiências bem-sucedidas da Europa e da América Latina em reciclagem de veículos, através das palestras de Ignacio Juárez Pérez, do Cesvimap (Centro de Experimentación y Seguridad Vial Mapfre), da Espanha, e Fabián Pons, do Cesvi Argentina (Centro de Experimentacion e Seguridad Vial).

Ignacio Pérez explicou todo o processo que ocorre atualmente na Espanha, focando as instalações autorizadas para realizar operações de tratamento dos veículos no final de sua vida útil. Essas operações envolvem a descontaminação, reutilização, reciclagem e valorização do veículo.

Pérez defendeu o modelo espanhol de reciclagem de veículos como uma referência para o Brasil, acreditando que o País se beneficiaria, sobretudo, do ponto de vista ambiental.

A legislação que existe na Europa pode ser considerada restritiva, se comparada com as de outros países, ou com aqueles onde ainda não existe regulamentação - disse. "O trabalho desenvolvido na Espanha vem descobrindo novos campos para o tratamento integrado de veículos nos aspectos ambiental, social e econômico".

Já Fábian Pons, do Cesvi Argentina, contou sobre a experiência daquele pais Lá, por meio de uma operação do governo federal, o programa de reciclagem fechou a maior parte dos desmanches ilegais para combater o roubo e furto de veículos. Além disso, a legislação determinou o destino de veículos fora de uso para centros especializados de tratamento.

Pons recomendou que o Brasil utilizasse o experimento da legislação argentina como uma referência, e buscasse melhorá-lo para adaptar o modelo de reciclagem de veículos mais próximo da realidade do País.

Desde 2001, o Cesvi discute o assunto, desenvolvendo trabalhos e estudando os projetos em andamento pelo mundo. Também vem oferecendo apoio técnico ao governo, à Fenseg e às empresas privadas com a realização de pesquisas - expôs Ramalho.

A platéia participou dos debates, que envolveram a cadeia produtiva do setor automobilístico e o poder público. Participaram Marco Saltini, diretor de relações governamentais da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Itagiba Franco, delegado da Divecar, a Divisão de Investigações sobre Roubo de Veículos e Cargas da Policia Civil, do DEIC (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Sérgio Duque Estrada, diretor de Proteção ao Seguro da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Seguros de Vida, Saúde Suplementar e Capitalização), Alexandre Xavier, gerente do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva), e Luiz Sérgio Alvarenga, assessor de mercado de reposição do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores).
O delegado Itagiba Franco, da Divecar, comentou que o objetivo ao participar deste evento foi o de achar um caminho para que se elimine à ação dos desmanches ilegais em São Paulo.

É um trabalho complexo. A reciclagem legal de veículos é viável e gratificante para o mercado de autopeças, e necessária para a sociedade. Por meio de nossa iniciativa, houve uma reaproximação do DEIC e as seguradoras para que todo tipo de fraude seja encaminhado para a averiguação da polícia.

Já William Monteiro, coordenador de operações de serviços da GM do Brasil, destacou que é preciso analisar o lado econômico dessa iniciativa.

A montadora teria a vantagem da diminuição do índice de furto e roubo, e não teria problema com as peças de reposição. Haveria redução nos armazéns das montadoras, que não teriam que colocar peças, praticamente obsoletas, para atender à eventual demanda de quem tem veículos com mais de dez anos. Para o mercado de seguros, seria interessante que as empresas assegurassem veículos com mais de dez anos de uso.

Segundo ele, para as montadoras, não é economicamente viável atender veículos com mais de dez anos.

A sociedade teria controle de tudo que seria feito, sem desmanches e peças ilegais, alimentados pela indústria do crime - encerrou.

Texto: M. Barthô/Agência AutoInforme
Fotos: Cesvi Brasil

Fonte: WebMotors

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