O que as montadoras de luxo mais almejam é uma fórmula de aumentar o volume de vendas sem vulgarizar a marca. E, depois da crise no mercado europeu, o cenário automotivo brasileiro se tornou favorável – assim como o mercado chinês – para que as marcas chamadas "premium" investissem em novos consumidores. Especialmente os de classe média alta. São pessoas que, pela primeira vez, querem adquirir um veículo requintado. Só que o volume é alcançado em uma faixa de preço "especial", um pouco mais acessível, que varia de acordo com o segmento. A estratégia das montadoras foi equipar os veículos com motores com cavalagem mais baixa, ou até diminuir a quantidade de equipamentos de série para alcançar o consumidor. "Mesmo sendo veículos mais simples, oferecem uma gama de itens que, às vezes, nem são disponibilizados nos modelos produzidos localmente", raciona Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.
A alemã BMW viu seu volume de emplacamentos aumentar depois de lançar a configuração X1 sDrive18i, com motor 2.0 litros de 150 cv, em maio. A estreia fez com que as vendas passassem de 155 unidades para 275 unidades em junho. Em julho, a marca comercializou 239 unidades. O SUV de entrada aparece por R$ 114.900, equipado com ar-condicionado automático, câmbio automático de seis velocidades, sensor de chuva, airbags frontais, laterais e de cabeça para motorista e passageiro. Seu maior concorrente é o Volkswagen Tiguan. "Sabíamos que as vendas aumentariam, mas a alta demanda superou as expectativas e hoje o modelo tem lista de espera nas concessionárias", gaba-se Marcelo Silva, diretor de marketing e vendas da BMW. O veículo de entrada da marca, o hatch 118i, também atrai um público mais jovem e acumula boas vendas, muito por conta de seu preço sugerido: R$ 99.500. A somatória dos seis primeiros meses do ano resulta em 1.154 unidades emplacadas. Em junho, porém, foram apenas 79 unidades vendidas. Talvez por conta de um "canibalismo" dentro da marca provocada pela chegada do X1 "de entrada".
A inglesa Land Rover foi outra que se aproveitou do bom momento do mercado nacional para engordar o volume de veículos que saem das concessionárias. O utilitário de entrada Freelander 2 representa 50% de vendas atuais da marca e soma 1.505 unidades desde janeiro. O preço sugerido do modelo com motor 3.2 litros de 233 cv é de R$ 115 mil – valor que foi ajustado muito por conta da valorização cambial do real em relação ao dólar. "Houve uma mudança do perfil do cliente e a movimentação econômica no país possibilitou essa migração para as marcas premium. A aceitação do modelo é enorme e achamos um campo fértil com esse novo público", comemora Luiz Tambor, diretor de marketing da Land Rover.
No mesmo "modismo" atual de utilitários esportivos, a Volvo comemora a boa fase de vendas do XC60, que equivale a 80% dos veículos que são emplacados pela montadora no mercado brasileiro. O modelo custa R$ 138 mil e tem como principal concorrente o Ford Edge. "Essa versão básica pega concorrentes de outras marcas que não são de luxo. Vencemos no custo/benefício e no atrativo de ser uma marca de luxo", valoriza Hernane Faria, coordenador de marketing da Volvo.
Só que nem sempre o automóvel de entrada é o mais vendido. A Audi, por exemplo, tem mais sucesso no sedã A4, oferecido por R$ 140 mil do que no hatch A3, de R$ 110 mil. "Muitas marcas estão qualificando novos consumidores e isso é interessante. Só que nesse momento, não é o objetivo da Audi tirar itens de conforto de um veículo para catar cliente em um segmento não premium", polemiza Leandro Radomile, diretor comercial da Audi. Mesmo assim, o executivo admite que a vinda do compacto A1, prevista para setembro ou outubro, irá atender à demanda para um público "iniciante" da montadora.
Instantâneas
# A Volvo cresceu 26,7% no primeiro semestre de 2010, com 1.309 unidades comercializadas contra 1.033 vendidas entre janeiro e junho de 2009.
# O modelo mais vendido da BMW é o 320i. Com motor 2.0 litros de 156 cv, o sedã custa R$ 112.500 e é equipado com itens como faróis de xênon, suspensão esportiva e câmbio automático de seis velocidades.
# O Mercedes-Benz Classe C emplacou 320 unidades em julho e acumula 1.674 veículos desde o primeiro mês do ano. A versão de entrada, a C 180 Kompressor, é oferecida por R$ 119.300. Seus concorrentes são o BMW Série 3, Audi A4 e Volvo S40.
# O C30, hatch com ares de cupê, chegou a ser o modelo mais vendido da Volvo por aqui. Atualmente ele soma apenas 228 unidades desde janeiro. Em junho, foram 29 unidades vendidas.
Longa viagem
Com um maior volume de venda das marcas premium no primeiro semestre, Audi, BMW, Mercedes-Benz, Land Rover e Volvo registraram juntas 17.030 de unidades comercializadas. A Mercedes-Benz segue na liderança das montadoras de luxo, com 6.702 unidades, seguida por BMW, com 4.487, e Land Rover, com 2.845 unidades. A quarta posição é ocupada pela Audi, com 1.687, seguida da Volvo, com 1.309 unidades vendidas.
E todo esse pedido extra nas concessionárias implica em uma demora maior da vinda dos modelos do exterior. A espera por um Discovery, da Land Rover, pode levar até 120 dias. O prazo é praticamente o mesmo para o XC60, da Volvo, que vem da fábrica da montadora na Bélgica – propriedade da Ford, onde são produzidos Ford Kuga, S-Max e Mondeo. O utilitário esportivo alemão BMW X1 pode levar até um mês para ser estacionado na garagem do novo dono. "O consumidor brasileiro é louco por novidades, ainda mais com os preços em patamares mais acessíveis, o que proporciona o crescimento dos importados", completa Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.
Fonte: WebMotors
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