Carsale - O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, afirmou que mantém conversas frequentes com a entidade que representa o setor automotivo na Argentina, em virtude da implantação de algumas medidas protecionistas implantadas nos últimos meses.
Segundo o executivo, algumas das novas regras de importação de peças, por exemplo, atrapalham um pouco o planejamento das montadoras que mantém unidades fabris nos dois países. “Atrapalha um pouco a logística e a gestão do planejamento. Mas, mantemos contato direto com a Adefa (associação dos fabricantes argentinos) semanalmente para viabilizar as questões de maneira mais fácil”, disse o executivo.
Belini ainda reafirmou que é a favor de medidas de proteção à indústria local. “Isso contribui para defender os interesses de quem está disposto a investir naquele determinado país. Porém, o objetivo deve ser sempre em prol de aumentar a capacidade de produção e suprir as demandas do mercado. Se for assim, não há problema, basta se adequar”, concluiu o chefão da Anfavea.
Entenda o que acontece
Nos últimos tempos, Brasil e Argentina estão ganhando as manchetes dos dois países, promovendo ações protecionistas para a sua indústria. Como todos devem lembrar, em setembro do ano passado, tivemos o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados e a promessa de um novo acordo automotivo, visando dar mais suporte e garantias para as empresas que possuem fábricas no país.
Já pelo lado do país vizinho, a proteção é intensificada nas questões alfandegárias e de regras mais rígidas para a importação de peças, mesmo que os componentes sejam provenientes de nações com acordos bilaterais vigentes, como é o nosso caso. Um exemplo foi o problema sofrido pela Fiat, em meados de janeiro deste ano.
A produção da unidade fabril da montadora italiana, da cidade de Córdoba, na Argentina, foi paralisada por dois dias. Segundo informou o departamento de comunicação local da Fiat, o motivo para tal problema está concentrado na falta de peças que são importadas do Brasil. “Durante o último mês, a unidade brasileira, que fornece parte da matéria-prima para produção dos veículos, também estava de férias. Em conjunto com isso, por causa da licença automática de importação exigida pela Argentina, vários lotes de componentes estão presos na fronteira. Assim, tivemos que paralisar as atividades por 48 horas”, disse a Fiat em um comunicado oficial.
A licença citada pela montadora foi divulgada pelo Ministério do Comércio da Argentina no final de 2011. De acordo com o órgão, de 70% a 80% das peças utilizadas pelas fábricas instaladas no país são importadas. A medida é semelhante à implantada no mês de julho, onde se refere aos veículos com o processo de montagem finalizado.
Fonte: Carsaleuol
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