Fenabrave - SC

09/01/2012

Ford cria simulador para deficientes

Com o envelhecimento o motorista começa a ter problemas de visão e a Ford está procurando resolver este problema para que no futuro seja possível fabricar carros mais seguros. Para isto a montadora está usando um software que foi desenvolvido na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para aperfeiçoas os seus painéis de instrumentos e permitir que eles possam ser lidos com maior facilidade e segurança.

Com este programa os engenheiros poderão entender melhor a deficiência e suas limitações, projetando melhor os equipamentos, inclusive telefones celulares. No caso de degeneração macular, em que a perda da visão central se move com os olhos, por exemplo, o software permite simular esse efeito e mover o ponto cego para diferentes partes da imagem.

O equipamento permite simular deficiências visuais em qualquer imagem. Ele carrega uma imagem, seleciona uma deficiência visual e passa a ver como uma pessoa que sofre daquele problema. É possível selecionar várias imagens e deficiências e comparar instantaneamente os seus efeitos.

Sam Waller, pesquisadores de Cambridge, diz que para nós, o objetivo é promover a inclusão por meio do desenho, com foco mais nas variações de capacidade do que na deficiência, e atender o maior número possível de pessoas, facilitando a leitura no acesso às informações. O software tem um comando que permite mudar instantaneamente o grau de deficiência visual, de muito branda para muito severa, de modo que as empresas possam definir os limites a serem atendidos.

Angelika Engel, especialista em ergonomia da Ford Europa, afirma que "a perda da visão é uma consequência natural do envelhecimento e afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Mas, por ser um processo gradual, muitas vezes passa despercebido durante anos. Subconscientemente, tendemos a nos desviar do problema até o momento em que, devido à sua gravidade, não é mais possível ignorá-lo.

Angelika diz que se observamos uma imagem no modo de daltonismo, por exemplo, é possível perceber instantaneamente se há números ou letras difíceis de enxergar. Então, podemos modificar o desenho da melhor forma. Naturalmente, há pessoas com problemas visuais que não podem tirar licença para dirigir. Mas existem outras com deficiência que ainda dirigem e queremos que elas façam isso do modo mais seguro possível.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 285 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de deficiência visual. Destas, cerca de 65% têm 50 anos ou mais e esse número tende a crescer com o aumento da expectativa de vida.

A capacidade de enxergar detalhes diminui com a idade, assim como a habilidade de ver no escuro. Isso significa que muitos motoristas podem ter dificuldade para ler o painel de instrumentos ao dirigir, a não ser que usem óculos bifocais ou multifocais. Outros problemas oculares, como glaucoma, catarata e degeneração macular, também são mais frequentes em pessoas com mais de 50 anos.

Desde 1984 engenheiros da Ford pensam nos mais velhos e usam o quem eles chamam de "Traje da Terceira Idade" para entender melhor as dificuldades enfrentadas pelos idosos. Essa roupa especial reduz a mobilidade e a sensibilidade ao toque, incluindo também óculos para simular catarata.
 


Fonte: Agência Auto Informe

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