O encanto até que durou bastante. Desde que a oitava geração do Civic chegou por aqui, em 2006, ele passou a ver os adversários pelo retrovisor, bem longe – tanto nos comparativos quanto nas vendas. Mas o tempo passou, a concorrência se renovou e eis que, no acumulado de 2009, o arquirrival Toyota Corolla assumiu a liderança do segmento. Vale acrescentar que a própria Honda tem culpa no cartório, por lançar o City quase na mesma faixa de preço de irmão maior. A canibalização das vendas foi inevitável.
Encontro o Civic LXL na garagem e ainda gosto do que vejo. Nessa nova versão, que deverá ser o carro-chefe da linha (75% da produção), as rodas grafite semelhantes às do Si dão ar de novidade à aparência do sedã, desgastada pela superexposição nas ruas. Lá dentro, o painel em dois andares se mantém encantador. Ligo o motor e reparo que a marcha lenta está mais baixa, 200 rpm a menos (cerca de 700 rpm). Nosso carro às vezes parece que vai morrer, mas daí acelera um pouco e retoma o ritmo. Faço uma manobra e percebo que o novo sistema de direção (com assistência elétrica, como Fit e City) deixou o volante bem leve. Chega a lembrar o Corolla. Mas a relação continua bastante direta, coisa de Civic.
Diz a Honda que a direção elétrica tem outro objetivo além da suavidade. Como ela não rouba potência do motor, como acontece no sistema hidráulico, o 1.8 16V i-VTEC trabalha mais folgado. Até o ar-condicionado é novo, com a mesma premissa de exigir menos do propulsor. Apesar de a potência e o torque não terem sido alterados, as modificações deram resultado. Comparado ao Civic LXS, o LXL automático foi mais rápido nas acelerações (0 a 100 km/h em 11,5 s, contra 12,2 s) e retomadas (80 a 120 km/h em 8,5 s contra 10 s). É preciso considerar, porém, que o câmbio do LXL é o mesmo do EXS, com modo esportivo – indisponível no LXS.
Ficou mais relaxante dirigir esse Civic, até porque a engenharia antecipou as trocas de marcha. Assim, o câmbio joga logo marchas altas em velocidades baixas. Mais solto, com giro baixo, o carro gasta menos: na cidade, o consumo com álcool melhorou de 6,2 km/l para 6,6 km/l. Na estrada, manteve os 11,8 km/l. Normal, já que a 120 km/h o conta-giros continua apontando 2.400 rpm em quinta marcha.
Lembra que a transmissão do LXL é a mesma do EXS? Então, isso inclui borboletas na direção para mudanças manuais de marcha – um dos hits do carro no lançamento. Do EXS também vieram os piscas nos retrovisores, os comandos do som no volante e a tampa do porta-malas forrada. Porém, o ar digital e o controle de estabilidade VSA continuam exclusividades da versão mais cara (sem falar na Si). Não adianta: essa geração do Civic nasceu mal-equipada e vai morrer assim. Para um carro de R$ 73.200 – valor do LXL automático com couro, como o testado –, faltam itens simples como computador de bordo, faróis de neblina e comando "um toque" para todas as janelas. Que fique de lição para o próximo Civic, previsto para 2011.
Fonte: Autonews
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