Fenabrave - SC

10/02/2010

É mais fácil financiar motos no Interior

Obter um financiamento de motos populares está mais fácil nas pequenas cidades do que nas Capitais dos estados. Esse comportamento do mercado de duas rodas foi apurado com exclusividade pela AutoInforme. Consultados, tanto a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) como os vendedores de concessionárias autorizadas confirmaram o fenômeno, mas revelaram que ainda não dispõem de dados numéricos à respeito.

Segundo a Fenabrave, essa realidade vem ocorrendo por alguns motivos que amedrontam os bancos e barram o crédito fácil para as motos nas grandes cidades.

Ao contrário dos proprietários de motos de maior cilindrada, os donos ou pretendentes de motos populares (motonetas e motos de até 150cc) e de máquinas de pequena para média cilindrada (de até 300cc) precisam driblar a cautela dos bancos e provar que vão honrar seu débito, opinou o vendedor de uma importante concessionária Honda da Capital paulista, que pediu para não ser identificado.

Segundo o mesmo vendedor, a recusa do financiamento acontece especialmente devido à baixa renda declarada - o que já não ocorre, por exemplo, com os clientes das motos importadas ou das máquinas de cilindrada mais alta. Muitos desses consumidores são clientes da marca e já provaram ser bom pagadores, mas infelizmente não têm comprovação de renda, disse ele. É isso que têm dificultado a financiamento.

A AutoInforme apurou que, além da baixa renda, a existência de outros financiamentos em andamento na vida do consumidor também atrapalha a liberação do crédito para tirar uma moto da loja. Mas a coisa não pára por aí: se o candidato tiver alguma pequena inadimplência assinalada em sua ficha, mesmo que o fato tenha ocorrido há anos, dificilmente o financiamento será liberado.

Finalmente, há o tradicional medo que as instituições de crédito têm em relação a acidentes, furtos e roubos, que ocorrem em maior quantidade nas Capitais no Interior. Essa probabilidade pode complicar ou interromper o pagamento das parcelas do valor que foi financiado para a aquisição da motocicleta.

Tímidos sinais

A Fenabrave lembrou que a dificuldade de financiamento vem ocorrendo desde o final de 2008, ano em que estourou a crise financeira nos mercados mundiais. Desde aquela época, os consumidores de motos populares, antes privilegiados com uma incrível facilidade para adquirir um financiamento, passaram a ter dificuldade para obter crédito.

Agora, a liberação dos financiamentos para motos populares voltou a dar sinais de que está voltando a funcionar - ainda que timidamente.

Nesse momento da economia, após a crise financeira ter ficado para trás, a dificuldade dos financiamentos deve-se a um problema cadastral, disse o presidente da Fenabrave, Sergio Reze. O comprador que mora numa cidade do Interior tem seu financiamento facilitado porque ali a motocicleta tem um uso menos desgastante. No interior, o risco de se usar esse tipo de veículo é bem menor, opinou o dirigente, que é dono de várias concessionárias na cidade de São Paulo e em cidades do interior paulista.

Para Sérgio Reze há outro dado, esse bem mais técnico: após a crise, o sistema de financiamento ficou muito seletivo. Com ele concordam alguns vendedores consultados pela reportagem em cidades do interior e na Capital paulista.

Eu soube que conseguir financiamento não está fácil lá em São Paulo. Acho que é porque o comprador aqui do Interior tem a seu favor um índice menor de inadimplência, opinou o vendedor Gustavo Oliveira, da rede Honda Comstar, tradicional concessionária da Capital. Ele trabalha na unidade de Cotia (SP). Esse fato acaba incentivando a liberação dos financiamentos aqui em Cotia.

Outra vendedora, Nancy Dele, da concessionária Feltrin Motosport, revenda autorizada Yamaha da Capital, concorda com essas opiniões e diz que a aprovação do crédito está mesmo difícil.

O índice de recusa está alto. As financeiras colocam muitas exigências e pedem até quatro vezes o valor da parcela inicial só para abrir um financiamento, explicou. Para ela, essa recusa tem um motivo adicional: a faixa salarial da maioria dos que buscam o dinheiro ronda a casa dos R$ 700,00. Isso bate com o que argumenta a fonte que pediu para não ser identificada, no início dessa matéria.

Mas há lugares onde o financiamento está saindo. O vendedor Maurício Garcia, da Viva Motos, autorizada Yamaha de Jundiaí (SP), disse que em sua cidade a dificuldade não é sentida tão drasticamente. Por aqui, os motoqueiros gozam de uma certa margem de credibilidade. Acho que isso acontece porque há pouca inadimplência, disse ele.

A dificuldade é menor ainda em cidades mais distantes da Capital. Segundo o vendedor Leandro Rodrigues, da concessionária Honda Danda Motos, de S. José do Rio Preto (SP), por lá a facilidade de crédito se deve ao fato da inadimplência ser baixa.

Por aqui, o índice de aprovação de crédito para financiamento é grande, ao redor de 40% das solicitações. Mas houve uma época, antes da crise financeira, em que eu aprovava cerca de 80% das solicitações, revelou.

Segundo Sérgio Reze, da Fenabrave, a previsão é de que em 2010 ocorra uma lenta e gradual liberação dos créditos para financiar as motos populares. Essa modalidade de compra deve aumentar gradualmente. O modelo do financiamento leva uma vantagem sobre o consórcio: nele, o comprador retira a moto imediatamente da loja. Isso dá mais estimulo."

M.Barthô

Fonte: Agência AutoInforme

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