Carsale - Após três dias de discussões, Brasil e México ainda não chegaram a um consenso sobre as mudanças no acordo sobre importação de automóveis. Hoje, os dois países voltam a se reunir para debater as alterações nas regras da parceria, segundo informou a Agência Brasil. Do jeito que as coisas caminham, o encontro deverá terminar sem chegar a uma definição. Uma nova rodada de negociações já está marcada para os dias 28 e 29 de fevereiro no México. Com base em informações obtidas por meio de fontes de Brasília, divulgadas com exclusividade pelo Carsale, caso os parceiros não cheguem a uma decisão, o governo brasileiro cogitaria estabelecer cotas de importação.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, a rodada de conversação de quinta-feira foi apenas o estágio inicial para uma renegociação e nenhuma proposta foi definida até o momento. “Os encontros estão ocorrendo em nível técnico. Por enquanto ainda estamos examinando essa questão. Ainda não há um resultado, e nem é esse o objetivo desse exercício no estágio em que se encontra agora”, disse aos jornalistas.
O tom da conversa tem sido contrário às exigências do governo brasileiro. Segundo um técnico do governo federal, o encontro de quarta-feira, entre representantes dos ministérios das Relações Exteriores e de Comércio Exterior, “não teve avanço”.
Em comunicado oficial publicado no site da Secretaria de Economia do México, o governo mexicano afirma que não pretende rever o acordo automotivo com o Mercosul. O texto diz que devido à sua importância bilateral, “o governo mexicano não buscará renegociá-lo.”
Na nota, o governo do México alega que o acordo permitiu que o comércio de automóveis entre os dois países tenha subido de US$ 1,1 bilhão para US$ 2,5 bilhões, no ano passado. Além disso, houve desenvolvimento da indústria regional de autopeças. No entanto, em 2011, a parceria comercial resultou em um déficit comercial para o Brasil superior a US$ 1 bilhão.
As reuniões de integrantes dos dois governos têm ocorrido desde terça-feira (7), quando negociadores do México chegaram ao Brasil. Na última sexta-feira (3), o presidente do México, Felipe Calderón, telefonou à presidenta Dilma Rousseff, após ameaça do Brasil de romper o acordo. Na conversa, Calderón afirmou ter “enorme interesse” na manutenção do acordo automotivo e concordou com a revisão do tratado.
Na ocasião, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse que a parceria comercial está “desequilibrada” para o lado brasileiro e que tem beneficiado somente os mexicanos.
Em vigor desde 2002, o acordo bilateral permite a importação de veículos, peças e partes de automóveis do México com redução de impostos e institui um percentual mínimo de nacionalização dos veículos vindos do país. A parceria isenta veículos da taxa de importação de até 35%, cobrada sobre carros de fora do México e do Mercosul.
Para driblar o desequilíbrio, o governo brasileiro cogitou utilizar a cláusula de saída do acordo, o que significaria a quebra da parceria. No entanto, para evitar a ruptura, o Brasil quer alterações nas condições, tais como maior participação do conteúdo regional na produção dos veículos, além da inclusão de caminhões, ônibus e utilitários no benefício de alíquota reduzida.
Fonte: Carsaleuol
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