A Renault aprendeu duas lições básicas no processo de implantação do carro elétrico no mundo e está considerando essa experiência nas suas ações: 1) As soluções não são individuais, dependem de parceiros, como fornecedores de sistemas, equipamentos, rede de abastecimento. 2) Nada se faz sem os governos dos paises onde o carro elétrico está sendo implantado, pois há necessidade de uma infra estrutura para sua operação.
Além desses dois princípios, a empresa resolveu iniciar a sua operação considerando experiência dos concorrentes, observando erros e acertos e partiu diretamente para o objetivo final da mobilidade de emissão zero: o carro elétrico puro, queimando etapas que outras montadoras tentaram e que, hoje, a Renault considera errada, como os carros híbridos e os sistemas de redução de emissões, como o para e anda.
É com esse espírito que a Renault apresentou em Lisboa o Fluence Elétrico, que começa a ser vendido nos próximos dias na Europa. O lançamento não parece apenas uma ação de marketing, mas uma importante investida nesse segmento. Ele vem acompanhado de outros veículos da série ZE (emissão zero). A marca preparou um catálogo de carros elétricos para atender todos os segmentos do mercado. Nos próximos dias será lançado o Kangoo ZE, versão carga e em meados de 2012 mais dois modelos estão sendo esperados: o pequeno Twizy, um micro carro para duas pessoas, de uso urbano e finalmente o Zoe.
O Fluence ZE é idêntico ao Fluence à combustão, exceto por mínimos detalhes e, claro, o motor elétrico, que tem 75 KW ou 90 cavalos de potência. O carro tem velocidade máxima de 135 km e faz de 0 a 100 quilômetros por hora em 13 segundos. A autonomia é de 180 quilômetros, mas pode variar dependendo da forma de dirigir, da velocidade, do tipo de estrada e da temperatura. Nas condições mais severas ele pode fazer 80 quilômetros com uma carga de bateria e na melhor das hipóteses chega a uma autonomia de 200 km.
Mas parece que a autonomia, antes tão questionada, está perdendo a importância, Primeiro porque 87% dos motoristas europeus andam em média menos de 60 quilômetros por dia, trajeto que pode ser feito com o Fluence sem a necessidade de recarregar a bateria. Segundo porque a estrutura montada para o uso de ZE na Europa permite o recarregamento a qualquer hora nos postos espalhados pelas cidades.
Durante o teste feito de Lisboa a Cascais, no litoral de Portugal, localizamos inúmeros postos de abastecimento, onde pode ser dada uma carga rápida, que demora menos de 30 minutos. Mas não foi preciso usar o sistema público de abastecimento.
A expectativa é de que 90% do abastecimento dos ZE serão feitas em casa ou no escritório. Mesmo assim, alguns países estão montando um sistema de troca de bateria (veja matéria), que permite a substituição do equipamento em poucos minutos, numa operação totalmente automatizada. 
O Fluence ZE será vendido no mercado europeu por ? 20,9 mil (versão Expression) e o dono do carro terá que pagar um aluguel mensal de ? 82,00 pelo uso da bateria, que por enquanto não será comercializada, o que foi possível reduzir substancialmente o preço do carro.
No Brasil? Sim, a Renault vai levar algumas unidades, mas a comercialização do carro elétrico no País está distante. As parcerias necessárias (a Renault tem 100 parceiros na Europa) nem começaram a caminhar e o governo sequer discute a questão. Para se ter uma idéia, um carro elétrico pagaria hoje 50% de IPI mais os 30 pontos anunciados recentemente pelo governo, pois o ZE está classificado na nossa legislação como ´´outros´´, isto é: o carro elétrico sequer é reconhecido oficialmente.

Fonte: Autoinforme
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