Fenabrave - SC

14/09/2010

Jeep Grand Cherokee: como anda o jipão que chega em outubro

Jeep Grand Cherokee será uma das principais atrações da marca norte-americana no próximo Salão do Automóvel no mês que vem

No console central, Up, 4WD Low, Sand/Mud. Banco e retrovisores ajustados, cinto de segurança afivelado e câmbio automático em drive. “That’s OK, girl!”, disse o rapaz de cabelos ruivos, boné e camiseta da Jeep, pela janela do carro. OK. Agora é só dosar o pé no acelerador e subir a montanha. Ah, sim, e passar pelo segundo instrutor, um simpático senhor de barba branca. “Estou com o próximo motorista aqui”, avisou pelo rádio. “Olha, é uma jovem menina!”, disse, desconfiado.

Hey, man! Não se preocupe. Você pode até duvidar, mas minha idade engana. E eu também não estou com medo de encarar esse morro aí, não. Quer dizer, ops! “É alto mesmo”, pensei, ao subir alguns metros. Mas tudo bem, eu estava a bordo do Grand Cherokee, todo renovado e ainda mais valente. E mais bonito!

Pelos obstáculos que enfrentou durante o teste, o carro mostrou que continua honrando a tradição da marca quando o assunto é off-road

A tradicional grade de sete aletas continua, assim como os faróis redondos dentro do conjunto óptico. Mas repare no corte do capô. As linhas agora são retas, definidas. Tudo está mais refinado. E você ainda não reparou dentro. “Está vendo os detalhes cromados?”, perguntou Greg Howell, designer da Jeep. Se ele apontava para o painel? Até poderia ser, mas não. Howell se referia aos ganchos de fixação no porta-malas. “Antes o porta-malas era a última coisa a ser projetada. Aqui fizemos o contrário, você vê que é algo especial.”
Um dos destaques mecânicos é a suspensão a ar (opcional), chamada de Quadra-Lift, que oferece cinco ajustes de altura.

Com o carro parado, é só apertar o botão “Up” no console para a suspensão ficar mais alta. Na posição normal, o jipe fica a 20,4 cm do solo. Mas pode chegar a 23,7 cm ou a 26,9 cm. O botão “Down” dá uma forcinha na hora de estacionar e deixa o veículo 4 cm mais baixo que a posição normal, a 16,4 cm do solo. E há ainda o modo que favorece a aerodinâmica: a suspensão desce 1,5 cm (18,9 cm) automaticamente quando o veículo atinge alta velocidade. Com o jipe lá no alto, foi moleza enfrentar a buraqueira. Mas o Quadra-Lift não fez milagre sozinho. A tração 4x4 reduzida estava acionada (4WD Low) e a opção Sand/Mud também. Sand é areia, mud é lama. No Grand Cherokee, os dois se encontram no sistema Selec-Terrain, controle eletrônico de tração que dá ao motorista diversas opções de condução de acordo com o tipo de terreno. Para ajustar o torque ideal às diversas condições, o sistema “conversa” com o controle de estabilidade e todo o conjunto mecânico (motor, transmissão, suspensão, freios). E lá do alto da montanha, o assistente de descida (Hill-Descent) controla o carro sozinho, dispensando o acionamento dos freios.

O novo Jeep enfrenta tudo: terra, pedra, areia, montanha. Mas, cá entre nós, quantos donos de um utilitário de luxo têm coragem de colocá-lo à prova? Se você prefere ser zeloso, como a maioria, não se preocupe. Depois de rodar mais de 200 km pelas estradas da Califórnia, aqui vai o veredicto: o jipão se dá muito bem no asfalto.

Com suspensão independente nas quatro rodas, o Grand Cherokee se comporta como um carro de passeio. Tem rodar macio, silencioso. E estreia um motor mais econômico, 3.6 V6 de 280 cv, em bloco de alumínio e com duplo comando variável de válvulas. Na estrada, um bom indicador: aos 120 km/h e com câmbio em drive, o conta-giros marca 2.000 rpm. Combinado à transmissão automática de cinco marchas, o propulsor apresenta bom desempenho – só demora um pouco para embalar nas arrancadas.

Interior também ficou completamente renovado e agora conta com aspecto mais moderno e arejado

A cabine é confortável, com comandos de fácil acesso. A ressalva vai para os controles do limpador de para-brisa, na alavanca esquerda. A alavanca direita? Não existe, embora a força do hábito me fizesse procurá-la de vez em quando. O volante é imponente, mas confesso que senti falta da pegada esportiva. Questão de gosto. O que faz falta mesmo é trocar as marchas por borboletas atrás do volante – no lugar há controles para o rádio.

Espaço interno continua sendo atrativo do carro

O Grand Cherokee 2011 chega ao Brasil em outubro, durante o Salão do Automóvel, mas já é possível fazer pré-reservas pelo site da marca. Inicialmente, será oferecido nas versões Laredo (de entrada) e Limited, com preços a partir de R$ 170 mil. Importante: por enquanto, a suspensão a ar não será oferecida, pois a marca ainda estuda a viabilidade de aplicar o sistema em carros blindados. O jipe sai de série com faróis de duplo xenônio ajustáveis, airbags (frontais, laterais e de joelho), sistema de entretenimento com 30 giga de memória, bancos dianteiros com ajustes elétricos, DVD traseiro e chave Keyless. E por falar nela...

Depois de dirigir a tarde toda, o susto. “Você está com a chave?”, perguntou o manobrista do hotel. Meu Deus, a chave! Para dar partida com a Keyless, é só manter a chave no bolso ou dentro do carro e apertar um botão no painel. O problema é que, se você desligar o carro e por um azar a chave não estiver por perto, o carro não liga de novo. “Ah! Está aqui, moça!” Thanks God! Sabe onde? Do lado de fora do para-brisa, junto aos limpadores. Que a Jeep não leia isso!

Fonte: Autonews

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