O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse ontem (13) em São Paulo, em palestra na Câmara Americana do Comércio, que o Brasil deve, pelo menos, repetir o bom desempenho de vendas registrado no ano passado, isto é, 2,8 milhões de unidades. Destacou o enorme potencial do País em relação ao setor automobilístico, lembrando a baixa relação carro/habitante, comparada com outros países (Argentina e México têm muito mais carros por habitante que o Brasil - veja quadro).
"O que reforça a expectativa de crescimento, é que o Brasil vive um momento de grande distribuição de renda, altas taxas de emprego e disponibilidade de crédito", disse Miguel Jorge. O ministro destacou a desconcentração de renda que ocorre no Brasil, prevendo o crescimento do mercado em regiões fora dos grandes centros, em cidades médias do interior do País, especialmente das regiões Nordeste e Centro Oeste. O ministro lembrou também que, enquanto os consumidores europeus e estadunidenses estão fazendo a troca por um carro novo, o brasileiro está comprando o primeiro carro. Essa diferença de comportamento explica, segundo ele, o ânimo do mercado brasileiro:
"É mais fácil adiar a troca do que adiar a expectativa de comprar um produto pela primeira vez na vida".
O ministro obteve confirmação de duas montadoras - mas não revelou quais são - de investimentos em novos produtos. Uma garantiu investimento de R$ 700 milhões e duplicação da capacidade da fábrica, onde será produzido o novo modelo. Outra montadora anunciou a produção de três novos carros e a Toyota informou ao governo que retomou o investimento na fábrica de Sorocaba, onde vai produzir um carro novo em 2011. O projeto estava suspenso por causa da crise.
O ministro Miguel Jorge disse que faz parte da corrente dos otimistas. E isso em relação à economia em geral, não apenas ao setor automobilístico. Destacou que a construção civil e a indústria automobilística são os setores que indicam a tendência da economia.
"São os setores que mostram a vitalidade ou a fraqueza de um País". Por isso acredita que o Brasil caminha a passos firmes para se livrar da crise. Para reforçar seu otimismo, lembrou dos acordos com os países do Mercosul e México e o estabelecimento de livre comércio com o Chile.
Finalizou desafiando mais uma vez o presidente da Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos, Jackson Schneider, de quem já venceu uma aposta no mês passado: o presidente da Anfavea não acreditava que as vendas passariam de 260 mil unidades (chegou a 271 mil). Agora, Miguel Jorge aposta na manutenção do volume de vendas em 2009, enquanto Jackson prevê queda de 3,9%.
E mesmo assim Miguel Jorge foi pessimista em relação à previsão feita pelo EIU - European Institute Union, que ele mesmo anunciou no seminário "Perspectiva para a Indústria Automobilística para 2009". Pela expectativa do instituto europeu, o Brasil será um dos dois únicos países que vão crescer este ano, com uma evolução de 3,7% em relação ao ano passado. O outro que irá contra a corrente em 2009 será a Índia, mas com crescimento bem menor, de apenas 0,2%. Todos os demais países, de acordo com os analistas do EIU, vão apresentar queda nas vendas.
Expectativa de evolução de vendas em 2009
European Institute Union
Estados Unidos
-25,0%
China
-2,4%
Japão
-19,1%
Rússia
-17,4%
Brasil
3,4%
Itália
-19,9%
Reino Unido
-19,1%
França
-7,6%
Índia
0,2%
Número de habitantes por veículo
fonte: Miguel Jorge - Agência Auto Informe
Estados Unidos
1,2
Japão
1,7
Alemanha
1,7
México
4,7
Argentina
5,2
Brasil
7
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