Fenabrave - SC

16/05/2011

Imposto de importação já não é suficiente para “proteger” o mercado nacional

Os carros importados pagam imposto de importação de 35%, desde que não venham de locais onde o Brasil tem acordos de importação sem impostos, como Mercosul e México. Só que essa alíquota já não é tão eficiente para “proteger” nosso mercado.

Uma reportagem do Diário do Grande ABC mostra que segundo integrantes da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores), o imposto de importação representa atualmente, em média, 8% no valor final do veículo de origem estrangeira.

Como o dólar está bem desvalorizado por aqui e a produção em grande escala consegue reduções boas nos custos de produção, esse tipo de imposto já não faz com que carros importados tenham preços muito acima dos nacionais.

Pelo contrário, através do exemplo do Chery QQ notamos que mesmo pagando esse imposto muitos modelos tem preços interessantes mesmo pagando essa taxa absurda. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as importações cresceram 49% apenas no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

E aí começa a pressão das empresas estabelecidas em território brasileiro, com suas fábricas e tudo mais, para que o governo faça alguma coisa para frear as importações, e aparecem medidas extremas como a barreira à importação automática, que tem alguns detalhes a mais por trás além do atrito com a Argentina.

Como mercados ainda em recuperação em outras partes do globo geram excesso de oferta, montadoras com ação global conseguem compensar efeitos da forte tributação no Brasil. ”É por isso que marcas, como as aisáticas, chegam com estratégias muito agressivas no mercado nacional”, considera Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK e professor da Fundação Getulio Vargas.

Para o especialista na indústria automobilística, essas mesmas empresas não seriam tão eficientes se tivessem que enfrentar as mesmas condições que os fabricantes nacionais. “Só se abrissem mão da lucratividade”, enfatiza Garbossa, para quem a indústria automobilística nacional ainda não encontrou soluções para neutralizar a forte concorrência.

Uma idéia que este consultor acha que poderia ajudar a amenizar a dificuldade para certas empresas trazerem carros de fora para o Brasil seria a adoção por parte do governo brasileiro de alíquotas variadas para cada região do mundo.

“Para impedir a ação agressiva dos asiáticos, a tarifa poderia ser de 40% para veículos importados daquela região. Já para carros vindos dos Estados Unidos, poderia ser de 30%. Assim, equilibraríamos o jogo.”

O presidente da Renault do Brasil, Jean-Michel Jalinier, concorda que a tributação sobre importados já não é mais uma barreira tão eficiente. “Quem produz fora não tem o mesmo compromisso com geração de emprego, renda e tributação que as marca locais. Por isso, o tratamento tem de ser diferenciado.”

Os importadores defendem que qualquer país que queira ser um grande produtor mundial de veículos nunca alcançará todos os nichos de mercado. Assim o Brasil precisa de carros importados para complementar a sua oferta. Afinal, que carro de luxo é produzido e vendido no Brasil? Se nosso mercado fosse fechado a melhor opção que teríamos seria Corolla de 85.000 reais.

Fonte Diário do Grande ABC

Fonte: NoticiasAutomotivas.com.br

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