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17/06/2009

Mercedes Classe E: à prova de maus motoristas

Lançamento internacional importante. Jornalistas especializados do mundo todo são convidados para conhecer a novidade, entrevistar executivos e, claro, fazer um longo test-drive. Nesses eventos, às vezes acontece de alguém bater o carro, com menor ou maior gravidade, seja por empolgação, distração ou fatalidade (já aviso que a ficha de Autoesporte está limpa). O fato é que poucas vezes uma montadora colocou uma frota em teste sem tanto temor de acidentes como a Mercedes com seu novo Classe E. Rodeados de itens de segurança, dezenas de jornalistas rodaram com o sedã por ruas e estradas próximas da capital espanhola, com direito até a teste noturno.

Antes de falar da parafernália eletrônica do carro, vamos ao que mais salta aos olhos, que é o desenho totalmente renovado após sete anos. Foram-se os dois pares de faróis redondos, que duraram duas gerações, vieram dois pares de faróis com linhas mais retas. A enorme grade perdeu uma divisória (agora são quatro), mas está lá como marca registrada. Ao contrário do Classe C, não há opção de grade com o logo da estrela. No Classe E, mais elegante, ela fica no alto do capô.

Os esforços dos projetistas para melhorar a aerodinâmica foram notáveis. O novo modelo tem o melhor perfil da categoria (Cx de 0,25), o que contribui com o desempenho e, sobretudo, com a redução do consumo, uma das bandeiras desse novo Classe E (na Europa há opções de motores mais eficientes, que não virão para o Brasil). Se você me perguntar se achei o carro bonito, terei dificuldade em responder. Feio com certeza não é. Os desenhistas tentaram injetar modernidade a um modelo de espírito conservador. Com isso ele fica no meio do caminho e não consegue empolgar muito pelo aspecto visual.

Uma das novidades é o emprego de lanternas mais largas e que usam leds no lugar das lâmpadas convencionais


Por dentro, sem tantas amarras de padronização, os projetistas fizeram um trabalho primoroso. A elegância das linhas traduz-se num ambiente aconchegante e confortável. Um prato cheio para espalhar o aparato tecnológico que a Mercedes sabe fazer tão bem. É preciso algum tempo ao volante para se acostumar com tantos comandos, mas a ergonomia é quase perfeita. O único pênalti é quando o motorista tateia em busca da alavanca de seta, do lado esquerdo. Normalmente, antes ele acaba encontrando o controlador de velocidade. Mas é questão de familiarização. Quem viaja atrás tem muito espaço e quase todos os mimos de quem vai à frente. O comprador pode escolher entre três lugares atrás, ou apenas dois, com um amplo console central.

Dirigir um carro como o Classe E é um raro prazer. Entre curtir uma estrada com um esportivo ou um luxuoso sedã alemão, fico com a segunda opção. E entre essa estirpe de sedãs, meus preferidos são os intermediários (Classe E, BMW Série 5 e Audi A6). Não são "barcões" como Classe S, Série 7 e A8, nem acanhados em espaço como Classe C, Série 3 e A4 (neste porte, fico com os hatches). É a medida certa para mesclar conforto com um toque de esportividade, coisa que os alemães fazem com maestria, e agora são ameaçados por um inglês surpreendente, o Jaguar XF.


 
Novo conjunto ótico deu um toque de esportividade ao carro

Falei em esportividade? Sim, pelo menos na versão que mais acelerei na Espanha, a E 500, 5.5 V8 de 388 cv. Com torque de 54 kgfm numa ampla faixa de giro, o propulsor vai chamando rapidamente as sete marchas do câmbio automático, quando exigido. As trocas são quase imperceptíveis, e logo as quase duas toneladas estão em velocidade de cruzeiro. Segundo a Mercedes, bastam 5,3 s para chegar a 100 km/h. A máxima é limitada a 250 km/h. A suspensão a ar com amortecimento regulado eletronicamente faz com que o carro deslize suavemente. Some a isso o perfeito isolamento acústico e mal se percebe que o carro está voando baixo na pista.

Nas curvas, a tendência a desgarrar é mínima, e as laterais dos bancos inflam para que os passageiros não sejam jogados para os lados. "Em 20 minutos a eletrônica do carro está adaptada ao estilo de condução do motorista", conta o responsável pelo projeto, Bernd Stegmann. Eu me adaptei ao jeitão do carro bem antes disso.


Este E 500 é uma das duas versões que acabam de chegar ao Brasil. A outra é a E 350, com motor 3.5 V6 de 272 cv. São as duas que já vinham sendo vendidas por aqui. O conjunto motor-câmbio não mudou, mas quase todo o restante do carro é novo. Pelo que incorpora de itens de segurança, o aumento é até compreensível. Nenhum carro no mundo oferece, por exemplo, o sistema que permite rodar em vias escuras sempre com os faróis altos. Uma câmera no para-brisa identifica os carros que vêm no sentido oposto e adapta os faróis para não ofuscar os outros. Os faróis são de duplo xenônio e acompanham as curvas.
Do Classe S, o novo E herdou a assistência para ponto cego (uma luz no retrovisor avisa sobre a vinda de algum veículo sorrateiro), o PreSafe (prepara o carro para minimizar danos em colisões inevitáveis) e o Night View (tela no painel com infravermelho realça figuras escuras). Acha pouco? O sedã tem sensores que fazem o volante vibrar caso você passe sobre uma faixa sem dar seta.

E até um sistema que indica sonolência do motorista, alertando inicialmente com um sinal de xícara de café no painel, depois por meios mais alarmantes. E ainda a nova geração do controlador de velocidade Distronic, que mantém distância segura do veículo à frente. Em resumo, é duro fazer barbeiragens a bordo desta máquina

  

Aumentou a quantidade de equipamentos no interior. Agora existe até um sistema que sugere uma pausa durante as viagens
Fonte: Autonews
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