Saída dupla de escape indica que esse cupê tem mais do que visual para oferecer: motor é o que não faltaOdeio ser estraga-prazer, mas dessa vez vou começar nossa conversa por um assunto que normalmente deixo para depois. Faço isso porque outro dia cheguei com o E350 Coupé a uma reunião de amigos e a pergunta mais recorrente foi com relação ao preço. Então, a pedidos (mesmo correndo o risco de dispersar o interesse dos leitores daqui para frente), lá vai: o belo cupê que você vê aí ao lado do velho DC3 custa R$ 285 mil.
Ainda está aí? Então chega de falar de coisas ruins e vamos nos divertir. Assim que a gente abre a porta e rebate o encosto para alguém chegar ao banco traseiro, o assento dianteiro movimenta-se automaticamente para a frente, facilitando o acesso. Assim como vai, ele volta sozinho. Quando a gente fecha a porta, uma mãozinha mecânica traz o cinto de segurança até perto do corpo, para maior conforto.
Ignição ligada, mal se ouve o motor trabalhando, mas pressione o acelerador que o 3.5 V6 de 272 cavalos faz o E350 disparar com fôlego de esportivo. Auxiliado por formas aerodinâmicas privilegiadas, na pista de testes o cupê de 1.645 kg fez 0 a 100 km/h em 7,4 segundos, provando que luxo e esportividade podem pegar carona no mesmo automóvel. Quando falei em aerodinâmica privilegiada não foi nenhum exagero: você está olhando para o carro de série mais aerodinâmico do mundo (Cx de 0,24). Isso significa que ele briga pouco com o vento, o que favorece desempenho e consumo.
Lançado no começo deste ano no Salão de Genebra, o cupê é derivado do Classe E sedã, mas tem muitas diferenças. Para começar, o modelo que chegou ao mercado três meses depois do sedã não ostenta a sobriedade do irmão mais sério. Visto de lado, tem um teto em forma de arco, que fica ainda mais belo com os vidros abertos: é assim que a gente descobre que não há coluna central, uma herança do CLK, outro belo cupê da Mercedes, que não é mais produzido.
O espírito mais jovial é acompanhado de uma redução de 5,1 cm na altura (o cupê tem 1,4 m). Além disso, como ocorre nos automóveis esportivos da marca alemã, a estrela fica no centro da grade, e não em pé sobre o capô. Ainda na dianteira, a parte inferior do para-choque lembra o formato de uma flecha, símbolo recorrente nos veículos da Mercedes-Benz.
Se forma (estilo) e função (aerodinâmica) fazem uma dobradinha impecável do lado de fora, por dentro também não há do que reclamar. O teto de vidro panorâmico (só a parte dianteira pode ser aberta) deixa todo o interior bem iluminado, mas em caso de claridade excessiva basta fechar a tela, também por controle elétrico. Além dela, há ainda outra tela de acionamento elétrico, no vidro traseiro, para maior privacidade dos dois ocupantes no banco traseiro.
O espaço atrás é bom, e quem fica ali dispõe de ar-condicionado com regulagens individuais. Mas o melhor lugar desse cupê é o banco dianteiro esquerdo. Posso dizer que fui muito bem tratado pelo E350 no período em que fiquei com ele. A começar pelo dia em que voltei da pista de testes, em Tatuí, “tarde da noite”, como se diz no interior. Liguei os faróis altos (bixenônio) e não mexi mais na alavanca. Falta de educação? Não! Fiz isso porque sabia que o Mercedão assumiria a função de baixar os faróis cada vez que um carro aparecesse à frente, seja em sentido contrário, seja no mesmo sentido. Isso é feito por meio de uma câmara no para-brisa. Além disso, o facho é direcional e o sistema ainda conta com o auxílio de luzes que se acendem nos cantos, quando o volante é virado. Fonte: Autonews
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