As concessionárias iniciaram o mês de setembro com estoque de 224 mil carros e comerciais leves, equivalente a 26 dias de produção. O estoque está alto não porque as vendas em agosto foram fracas, mas porque as fábricas estão produzindo acima da média, usando para isso horas extras e trabalhos aos sábados.
As montadoras se preparam para o crescimento nas vendas neste mês, quando ainda poderão vender com a redução do IPI de 13% para 6,5% para carros de 1001cc a 2000cc flex e a eliminação do imposto para carros até 1000cc.
Veja no pé do texto como fica o retorno do IPI até janeiro de 2010: ele será gradual, no mês que vem o imposto vai aumentar apenas 1,5 ponto percentual nos carros 1.0, mas esse pequeno reajuste está sendo suficiente para fazer o consumidor a comprar já. As vendas diárias até ontem (14) estavam em 12,2 mil unidades, uma média alta para a primeira quinzena. E que indica a possibilidade de um novo recorde histórico de vendas. O recorde atual é de junho de 2009, com 300.203 unidades de veículos automotores.
Além do IPI, outros fatores estão influenciando na expansão dos emplacamentos, conforme lembrou o presidente da Anfavea, Jackson Schneider: a volta da confiança do consumidor e o volume de crédito disponível.
Por isso é difícil avaliar como o mercado vai se comportar com a volta do IPI. Existem vários aspectos a serem analisados. Um deles é o apetite das montadoras, que poderão aumentar o preço do carro acima do percentual provocado pelo retorno de parte do IPI. É preciso lembrar que os preços caíram 5% por conta da redução do IPI nos carros de 1000cc.
O consumidor precisa ficar atento e observar se apenas esse percentual vai retornar ao preço final do carro com a volta do imposto, em janeiro de 2010. Se o reajuste for maior do que isso, trata-se de aumento real. Isso provavelmente vai ocorrer, pois o setor já reclama do aumento dos preços dos insumos. O Sindipeças, sindicato dos fabricantes de autopeças, já reclamou, na semana passada, de ajuste de 13% no preço do aço.
Os dirigentes da indústria apontam também as greves por aumento de salários nas fábricas da Renault e da Volkswagen no Paraná como elemento pressão nos custos do carro.
Como será o retorno do IPI
Os carros até 1000cc (a gasolina e flex) pagarão 1,5% de imposto em outubro, 3% em novembro e 5% em dezembro, para retornar ao patamar normal, de 7%, em janeiro de 2010.
Os carros da faixa intermediária, de 1001cc a 2000cc á gasolina pagão 6,5%, a partir de 1ºde outubro pagarão 8%, em novembro, 9,5% em dezembro, 11% em dezembro e retornam ao patamar anterior em janeiro, 13%. Os até 2000cc flex seguem a seguinte escala: 6,5%, 7,5% e 9%, voltando a 11% em janeiro de 2010.
As caminhonetes continuam recolhendo apenas 1% de IPI até dezembro e em janeiro o imposto volta aos 8%. Os caminhões permanecem isentos até dezembro e voltam a pagar 5% em 2010.
Carros com motor acima de 2000cc, que não foram beneficiados pela medida do governo, continuam pagando 18% (flex) e 25% (gasolina). E as motos retomam o IPI total, de 3,5%, a partir de primeiro de outubro.
Joel Leite
Fonte: Agência AutoInforme
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