18/11/2011
Corte de juros deve estimular consumo
Se até meados do ano, o Banco Central teve a árdua tarefa de implantar mecanismos para desacelerar o aquecimento da economia brasileira, quando se vislumbrou que a turbulência financeira seria mais profunda do que se imaginava, a autoridade monetária precisou inverter o seu papel. O primeiro passo foi reduzir a taxa básica de juros seguido pelo destravamento do crédito, anunciado na sexta-feira. Apesar do mix apresentado até o momento, Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, acredita que a retirada das medidas macroprudenciais não seja tão relevante quanto a queda da Selic para reaquecer a economia. "O Brasil retirou os estímulos mais rápido do que em 2008, mas o alívio com a restrição de crédito não é numericamente grande. Significa apenas um ajuste e não uma medida pesada", afirma.
É por isso que Goldfajn projeta que os juros (hoje em 11,5%) devem atingir a casa dos 9% no ano que vem. "A projeção da maior parte dos analistas é de 10%, que é consistente com o que o BC tem sinalizado. Mas talvez a autoridade monetária precise acelerar os cortes para estimular mais rapidamente a economia e garantir um crescimento do Produto Interno Bruto em 3,5% em 2012", projeta. Segundo ele, se a Selic tivesse sido mantida em 12,5%, talvez o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pudesse atingir o centro da meta de 4,5% já no ano que vem.
"No entanto, o crescimento brasileiro seria bem mais baixo", diz Aurélio Bicalho, economista do banco, acrescentando que a instituição espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) faça mais um corte de 0,5 ponto percentual na reunião do fim deste mês. Isso mostra que a escolha do BC foi se dirigir lentamente ao centro da meta, "o que não significa que deixaram a meta de lado", afirma Goldfajn. A expectativa do banco é que o IPCA encerre o ano que vem em 5,6% e, em 2011, 6,5%.
Fonte: Brasil Econômico - Brasil – 18/11/2011 – Pág. 09
Fonte: FenabraveNacional
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