A grande concorrência no mercado interno fez com que as montadoras moderassem o apetite por aumento de preços no ano passado. Embora o volume de vendas tenha crescido nos últimos anos (em 2010 subiu 11,9%), os 3,5 milhões de pessoas que compraram carros no ano passado foram disputados por 43 marcas.
O resultado dessa situação foi revelado pelo estudo AutoInforme/Molicar sobre o Preço de Verdade (o preço realmente praticado no mercado): o carro zero teve um aumento médio de 1,4% no ano passado, isto é, um reajuste bem abaixo da inflação medida pelo IPCA, que foi de 5,9 %.
Hoje a indústria apresenta margens reduzidas porque o custo aumenta e não dá pra repassar para o preço final devido a grande concorrência. O Brasil, hoje não permite a competitividade, disse Cledorvino Belini, presidente Anfavea, a associação dos fabricantes, que iniciou um estudo sobre competitividade para solicitar ao governo medidas de desoneração do capital.
E nem todas as montadoras aumentaram os preços. Metade delas (22) encerrou o ano com aumento de preço e outras 19 tiveram queda em relação ao preço praticado em dezembro de 2009 (veja quadro). Ferrari e Chamonix foram as únicas que mantiveram os preços estáveis em 2010.
Mas apenas dez marcas conseguiram reajustar seus produtos acima do aumento médio do mercado. Os preços que mais subiram foram os da Agrale, com uma alta de 8,5%. A seguir veio a Lexus, com + 6,5% e em terceiro a Volkswagen, com aumento de 4,6% nos seus carros. A Ford foi a outra grande que teve aumento maior do que a média. Os preços dos carros da marca subiram 4,2% em 2010.
Troller, Hyundai, Toyota, Smart, Mahindra e Subaru foram as outras marcas que conseguiram aumentar o preço acima da média em 2010, apesar da grande concorrência.
A Ssangyong foi a marca que mais perdeu preço em 2010. Embora tenha aumentado as vendas, os carros da empresa coreana tiveram uma queda média de 9,6%.
A Chana foi a segunda marca que mais perdeu preço, - 9,8%, seguida da Jeep, cujos carros ficaram 8,1% mais barato.
Observe o gráfico, veja que os preços tiveram um comportamento bem diferente no primeiro e no segundo semestre. De janeiro a junho eles apresentaram altas regulares, chegando acumular + 3,4% em junho. Mas o segundo semestre foi de quedas constantes.
A tendência deve ser de novas quedas, incrementada pelas novas marcas que estão entrando no mercado. Pelo menos meia dúzia de novas empresas se somarão às 43 que participaram do mercado em 2010, acirrando ainda mais a concorrência e consequentemente pressionando os preços para baixo.
Joel Leite


Fonte: AutoInforme
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