Está aumentando a cilindrada na frota de motocicletas brasileiras. Mesmo que lentamente, o fato já é sentido nas concessionárias e nas montadoras do setor de duas rodas. Com isso, as importadas também já registram aumento do volume de vendas no País.
“As motos de alta cilindrada estão chegando com um preço bastante interessante”, afirmou Vitor Meizikas, da Molicar, lembrando que o fato pode pressionar as fabricantes instaladas no País.
Para o consultor do setor automotivo, enquanto grande parte das marcas instaladas na Zona Franca de Manaus retrocedeu em relação a lançamentos no mercado brasileiro -- por conta da queda de 16% das vendas durante o ano passado na comparação com o ano anterior --, as importadoras reagiram da forma oposta. A BMW, por exemplo, ao contrário do registrado no mercado geral de duas rodas, conseguiu apresentar crescimento de 15% no ano passado. Para 2010 a perspectiva é ainda mais positiva. Depois de começar a produzir em dezembro do ano passado o modelo de 450 cc G650 GS na fábrica da brasileira Dafra, na Zona Franca de Manaus, a projeção é comercializar durante o ano, no mínimo, mil motos a mais do que em 2009.
“As vendas começam em março desse ano. A moto custará R$ 29,8 mil e entraremos em um segmento totalmente novo para nós”, salientou o diretor da BMW Motorrad, Rolf Epp. As motos da BMW negociadas hoje no Brasil custam acima de R$ 50 mil. Além desse modelo fabricado em solo brasileiro, o executivo adiantou a Automotive Business que chegará em abril ao Brasil a superesportiva S1000 RR, essa produzida em Berlim, Alemanha. “Essa é a primeira desse segmento que a BMW irá oferecer”, afirmou.
Mercado
Essa tendência de mercado também é observada pela Abraciclo, entidade que representa os fabricantes de motocicletas. O diretor-executivo da entidade, Moacyr Alberto Paes, lembra, no entanto, que o segmento é ainda pouco representativo dentro das vendas totais no País. Segundo levantamento da própria Abraciclo entre as associadas, as vendas de motos de 101 cc a 150 cc tiveram a participação de 84% das vendas no ano passado. Já as que ficam na faixa acima de 401 cc conquistaram uma fatia de apenas 2%.
“As motos de baixa e média cilindrada já estão supridas com a produção nacional”, afirmou Paes. O número não contempla as motocicletas importadas.
Incentivos
O balanço do mês de janeiro será determinante para as fabricantes decidirem se irão pleitear junto ao governo federal a manutenção dos incentivos para o setor. Até março as motos de abaixo de 150 cilindradas terão alíquota zero de Cofins. A Caixa Econômica Federal também liberou em dezembro R$ 3 bilhões para o financiamento de motos. “Ainda é prematuro avaliarmos como está o mercado. Estamos acompanhado de perto”, afirmou Paes.
Mesmo com a queda do mercado de duas rodas no ano passado e com os incentivos valendo só até o fim de março, há nove projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus em andamento. Procurada, a assessoria de imprensa da Suframa informou que não há nenhuma notícia de desistência de instalação dessas companhias desde o início da crise econômica. Além delas, já estão em fase de implantação as plantas da MTD Motor da Amazônia e da CR Zongshen, chinesa que no ano passado adquiriu a brasileira Kasinski.
Foto: divulgação/BMW
Fonte: Automotive Business
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