Quando há um desastre aéreo o país fica aterrorizado, a imprensa dedica grande tempo de seus noticiários sobre o assunto. Os jornalistas entrevistam técnicos para saber as causas do acidente e o assunto rende muita matéria, sofrimento e comoção. O que poucos sabem é que, a cada dois dias, morre 200 pessoas em acidentes de trânsito, número equivalente ao de um Boing lotado. Isso sem contar com um número maior de feridos e outro tanto que passa o resto da vida com graves sequelas.
Desde o dia 1º de janeiro deste ano entrou em vigor uma resolução do Conatran - Conselho Nacional de Trânsito, obrigando as fábricas de veículos colocarem freios ABS e air bags em seus carros e comerciais leves. Como esta obrigatoriedade é progressiva, nos dois primeiros anos nada deve mudar, pois 15% dos carros brasileiros já saem de fábrica com estes equipamentos.
Pelo cronograma desde este ano, os carros novos brasileiros têm que ter ABS em 8% das vendas, passando para 15% no ano que vem. Em 2012 a obrigatoriedade salta para 30% dos carros comercializados no Brasil, 60% em 2013 e 100% em 2014. No caso do air bag, o cronograma é parecido, com algumas mudanças novos projetos de carros. Mas, o que importa é que a partir de 2014 todos os carros no Brasil terão ABS e air bag.
Esses equipamentos deverão contribuir para a redução do número de acidentes com carros, mas três entidades: Cesvi - Centro de Experimentação e Segurança Viária, Abramet - Associação Brasileira de Medicina de Tráfego e ANTP - Associação Nacional de Transporte Público lançaram uma campanha para criar no Brasil um Plano Nacional de Segurança Viária. Elas querem que o governo tome a atitude de fazer valer algumas iniciativas para diminuir os acidentes.
José Oka, Superintendente de Segurança Viária do Cesvi, lembra que "os problemas do trânsito são o resultado de uma série de influência, como a atitude de quem dirige, a qualidade da via e da sinalização e a conservação do veículo".
Para José Oka a obrigatoriedade do ABS e air bag deve ajudar, mas ele lembra que é preciso conscientizar o motorista de que esses equipamentos não impedem totalmente de acidentes. Ele diz que "é preocupante o fato do motorista achar que só porque seu carro tem ABS ele pode andar com maior velocidade, no limite do risco".
Este Programa de Segurança Viária, que deverá ser coordenado por um órgão que tenha bom trânsito nos ministérios ligados ao problema (da Cidade, da Saúde e dos Transportes), deve abranger todo o desenvolvimento do ser humano, colocando aulas de trânsito no currículo escolar para que a criança tenha consciência desde cedo do problema, chegando nas aulas de habilitação com questões concretas e melhoria no ensino prático.
O conteúdo na formação de motoristas já sofreu mudanças, mas ainda não se sabe se todas as escolas estão adotando como deve ser feito, pois não há fiscalização eficiente para coibir os maus formadores de motoristas.
Além das três entidades envolvidas na campanha para que o Brasil tenha um Plano Nacional de Segurança Viária, outras empresas estão se engajando neste movimento. Há um site (www.chegadeacidentes.com.br) com explicações deste trabalho e um relógio registra o número de acidentes e mortes no trânsito
José Carlos Pontes
zeca@autoinforme.com.br

Fonte: Agência AutoInforme
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