Fenabrave - SC

22/09/2009

Salão de Frankfurt: geração perdida

Opel Astra foi totalmente renovado (acima), ao contrário do Vectra GT nacional, que só recebeu retoques na dianteira (abaixo)

A apresentação da nova VW Eurovan no Salão de Frankfurt foi de deixar os brasileiros com complexo de inferioridade. A van é a tataraneta da Kombi, e já tinha direito a controle de estabilidade, ar digital para os passageiros de trás, câmbio automático... Pois a linha 2010 do utilitário chega reestilizada, com a frente seguindo o padrão dos novos VW europeus, e (acredite!) câmbio DSG de dupla embreagem combinado com motor biturbo. Isso sem citar a tração integral 4Motion. A Eurovan 2010 é só um exemplo de como estamos atrasados. E não foi um caso isolado na exposição alemã, a maior do planeta.

No próprio estande da VW, a nova geração do Polo estreava a versão duas portas. É o nosso Polo ficando para trás, tanto em técnica (plataforma PQ25 do novo, contra PQ 24 do brasileiro) quanto em design. O hatch manteve o interior sóbrio, com destaque para o acabamento ainda mais caprichado, mas o visual externo evoluiu bastante. As linhas ficaram retilíneas, com faróis e grade de formato bastante agressivo. Ao vivo, impressiona melhor que o Golf VI, um tanto “careta”. Na parte mecânica, destaque para o conjunto formado pelo novo motor 1.2 TSI (turbo com injeção direta) de 105 cv e pela transmissão DSG de dupla embreagem e sete marchas. Por aqui, temos 1.6 flex e transmissão I-Motion, com uma embreagem e cinco marchas.

VW Polo europeu (acima) não terá versão nacional

E os planos não são animadores: “O novo Polo não vai para o Brasil”, afirmou um executivo da marca. A explicação, a gente já cansou de ouvir: “custos”. Por isso, o hatch nacional deverá sofrer uma “reestilização caseira” nos próximos dois anos, aos moldes do que vai acontecer com o Fox em outubro. Quanto ao Golf VI, as chances de tê-lo no Brasil são maiores. O modelo deverá ser fabricado no México, para atender o mercado norte-americano, e poderá ser importado de lá. A nova perua Golf, inclusive, também foi mostrada no salão. É a Jetta Variant que conhecemos (importada do México) com a frente do Golf VI, ainda sem data para vir.

Da VW para a rival Opel, conhecemos o novo Astra. E lamentamos o fato de a Chevrolet brasileira não compartilhar mais da tecnologia da marca — que teve parte vendida da GM para a canadense Magna. O hatch médio evoluiu muito em design e acabamento, com um interior inspirado no Insignia (sucessor do Vectra na Europa). A parte central do painel impressiona pela quantidade de botões, mas seu uso parece amigável. Em termos de espaço e visual, arriscamos dizer que o Astra ficou mais bacana que o Golf VI. Por baixo da carroceria, a estrela é o motor 1.6 turbo de 180 cv com câmbio manual de seis marchas. No Brasil, a linha Astra/Vectra GT deverá dar lugar ao futuro hatch do Chevrolet Cruze, um carro de construção mais simples que o novo Opel.

Novo Citroën C3 (esq. e acima) ainda não tem produção no Brasil definida, por custos

Nosso C3 também acaba de se desatualizar. A nova geração cresceu 8 cm e ganhou para-brisa panorâmico, que invade o teto. O design ficou mais agressivo, para agradar aos homens, e o painel abandonou o velocímetro digital em favor de um quadro de instrumentos convencional, mas muito atraente. O nível de acabamento subiu alguns degraus, enquanto o espaço interno pouco melhorou — atrás, continua um pouco justo para as pernas. A Citroën do Brasil afirma que o novo C3 não será feito no país por uma questão de custos, mas fornecedores indicam que há estudos para a produção do modelo em Porto Real (RJ) em 2012. O lançamento do C3 Picasso por aqui em 2010 (versão aventureira, que terá nome exclusivo) reforça essa tese, já que o monovolume usa a mesma plataforma do hatch, o que facilita (e barateia) o processo. Mas, por enquanto, é geração perdida.

Nem tudo está perdido

Renault Fluence

Apesar de o consumidor brasileiro não ter o poder aquisitivo do europeu - motivo alegado pelas marcas para não trazer seus novos projetos ao Brasil -, tem gente que vai apostar em produtos inéditos por aqui. O principal lançamento da Renault em Frankfurt, por exemplo, não é voltado à Europa — no máximo aos países do leste. Trata-se do Fluence, versão sedã do novo Mégane. O carro cresceu substancialmente (tem 4,62 m de comprimento, 2,70 m de entre-eixos), com ênfase no espaço interno. Mesmo assim, a cabine não parece ter aumentado na mesma proporção (era espaçosa, continua).

A dianteira é exclusiva do sedã, com grade e faróis diferentes do Mégane, mas a traseira ficou conservadora demais. O carro agrada ao vivo, embora dê a impressão de ter crescido além da conta — ficando um pouco desproporcional. Por dentro, o maior problema é manter muitas peças do modelo atual, como alavanca de câmbio e botão de partida (o que segue a cartilha de “carro para país emergente”). O quadro de instrumentos simplório também não ajuda a despertar desejo de compra, algo fundamental para enfrentar Civic e Corolla. A produção na Argentina (e não mais na fábrica do Paraná, que ficará focada nos carros de maior volume) começa em 2011, com motores flex 1.6 16V e 2.0 16V.

Ford Fiesta

Se o Fluence tem pouco a acrescentar ao segmento, a Ford deverá agitar a categoria dos compactos com o novo Fiesta. Pelo que vimos em Frankfurt, o hatch que será feito em Camaçari (BA) em 2011 tem tudo para agradar. O design arrojado é muito atraente, e o interior é tão bacana quanto a carroceria. O quadro de instrumentos tem molduras que se destacam do painel, e o console tem botões em disposição semelhante à de um teclado de celular. O acabamento deverá ser simplificado no carro brasileiro (o europeu tem a parte superior do painel emborrachada e alavanca de câmbio do Focus), mas o Fiesta nacional também será novo debaixo do capô: a versão topo de linha usará o motor 1.6 16V Sigma que vai estrear no Focus em dezembro. Quem sabe não sirva de exemplo para a VW trazer o novo Polo e a Citroën o novo C3?

Fonte: Autonews

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