A queda de braços entre governo e importadoras de veículos está longe de ter um fim. José Luiz Gandini, presidente da Abeiva - Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores, questionou as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O ministro disse que a iniciativa de aumento do IPI em 30 pontos percentuais para os importados foi "bem sucedida".
Em nota, Gandini afirmou que a atitude do governo "feriu a leis de comércio internacionais, os direitos dos cidadãos brasileiros, a livre competição e que em nada vai contribuir para o aumento da competitividade setorial."
Gandini disse ainda que "o governo, erroneamente, não considerou o impacto da globalização dessa indústria, que tem se pautado no desenvolvimento de plataformas globais, adequação dos veículos dessas plataformas para cada mercado e região e complementação de portfólio de produto para segmentos específicos".
Gandini afirmou ainda que a capacidade instalada global já ultrapassou o limite sustentável de 80% de utilização e a ideia de invasão do mercado por fabricantes de outras regiões é um delírio.
"Muito provavelmente, a presidente Dilma Rousseff não recebeu estudos mais completos do setor no Brasil, pois se considerarmos o total de 677 mil veículos importados de janeiro a outubro deste ano, 75,23% foram trazidos pelos próprios fabricantes e 24,36% por filiadas à Abeiva (outros 0,41% por importadores independentes)".
Para questionar os números do ministro a nota diz que "do total de 2.791.288 veículos emplacados de janeiro a outubro, os importadores sem fábrica do País responderam por apenas 5,91%, ou seja, de 165.114 unidades. Do total estimado de 800 mil veículos a serem importados este ano, deveremos responder 200 mil unidades, ou seja, 25%. O restante é isento da alíquota de importação, pois vem da Argentina e do México". Em relação ao déficit da balança comercial do setor automobilístico, Gandini afirmou que o ministro Mantega "aplicou um antídoto no paciente errado".
"O grande déficit do setor de transportes está na importação desenfreada de autopeças e de veículos da Argentina e do México, pois tecnicamente, eles aparecem na balança comercial como produtos importados.
Fonte: Autoinforme
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