A licença remunerada concedida pela Scania de 27 de abril a 25 de junho pode afetar até quinhentos funcionários da produção. Durante esse período a fábrica de São Bernardo do Campo, SP, terá o ritmo de produção reduzido por conta da queda nas exportações. No período de férias coletivas de fim de ano a empresa já proporcionara trinta dias e em fevereiro a fábrica não trabalhou às segundas-feiras. E o pessoal da administração teve que usar bancos de horas de 22 a 24 de abril.
Em dezembro a carteira de pedidos, as intenções de compra ainda não confirmadas, da fábrica brasileira para o mercado latino-americano era 17% menor do que no mesmo período do ano passado. No período antes da crise, até setembro, as encomendas estavam 29% acima do que o registrado no mesmo mês de 2007.
Baseada na estratégia de abastecimento de mercados partindo de um mesmo centro de distribuição a Scania destina 60% de sua produção no Brasil a outros mercados, o que a fez vulnerável diante da crise.
Como não há produção para estoque a empresa consegue informar o óbvio, que a redução do ritmo da linha de São Bernardo é necessária para equilibrar oferta à demanda, e não se preocupa em quantificar o corte. Fontes da Scania dizem que a queda na produção já era prevista: com a equiparação dos produtos feitos no Brasil aos europeus alguns mercados poderiam ser perdidos por conta de custos com logística – como o africano, que poderia ser abastecido a partir da Europa.
Rápida - A assessoria de imprensa da Scania não gosta de fornecer números e porcentuais mas é rápida na sua ação corporativa ao esclarecer que a fábrica brasileira é competitiva para atender à demanda de mercados cujas necessidades sejam semelhantes às daqui e que, portanto, tornam-se cativos.
Ainda que o mercado brasileiro possa apresentar recuperação nos próximos meses, o que melhoraria a situação da produção, a exportação ainda não deverá voltar ao nível anterior à crise, segundo analistas do setor. A Scania considera que o mercado de caminhões pesados possa reagir mais rapidamente e, por isso, o cenário será analisado constantemente até o fim desses sessenta dias.
A Scania, sempre por meio de sua assessoria de imprensa, descarta qualquer processo de demissões e programa de demissões voluntárias. O fato é que, coincidentemente, os empregados voltarão ao trabalho no período em que o IPI voltará a ser cobrado e, portanto, o compromisso das fabricantes com o governo, de não demitir, também chegará ao fim.
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