Fenabrave - SC

28/03/2011

Calçado para dirigir é coisa séria

Há muitas dúvidas relacionadas à legislação de trânsito no Brasil. E uma delas é quanto ao calçado do motorista. Para as mulheres, a história complica ainda mais. Como se não bastasse a dúvida do que vestir quando saem de casa, ainda precisam ficar atentas às leis de trânsito.

O artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro não proíbe o uso de saltos, mas especifica que o condutor não deve dirigir usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa o uso dos pedais, como é o caso dos chinelos, salto Anabela, rasteirinhas, plataformas, tamancos e o velho e bom salto alto. A lei não é clara quanto ao que é permitido ou não. A única certeza é: chinelo não dá, pois o pé pode escorregar. Isso é demonstrado divertidamente em um filme publicitário atual.

Calçar-se adequadamente para dirigir não é um problema apenas das mulheres, pois sapatos masculinos de sola muito lisa são escorregadios. Mais dúvidas? Código de Trânsito não diz que é proibido andar com o sapato maior que o pé. Mas existe limite para isso? E se o sapato for tão grande quanto o de um palhaço?! Você pode estar pensando que ninguém dirige com sapatos de palhaço, certo? Pois a dupla Patatí Patatá conta histórias engraçadas sobre o famoso “sapatão de palhaço”.

Quanto você calça? "Ah, uns 90 e poucos", brincam Patatí Patatá, que concorrem a recorde de maiores sapatos do mundo pelo Guiness

No começo da carreira, eles não tinham motorista. Era festa atrás de festa, uma correria danada. O jeito era sair dirigindo com a roupa que usavam, e isso incluía os sapatos. “Temos mobilidade total dos pés, ele é feito de espuma e a sola é de EVA”. Depois de 25 anos de carreira, eles contam com um motorista. Mas histórias como essa não são incomuns. E algumas apesar de envolver palhaços, não têm graça. Pois já houve outros artistas parados e multados por estar usando sapatos extravagantes. O guarda, diferentemente das crianças, não acreditou que o pé era daquele tamanho.

A dupla de palhaços tem 100 sapatos do mesmo modelo, mas nenhum deles é adequado para dirigir

Contar com o bom senso é primordial. Ninguém deve calçar “90 e poucos” (a suposta numeração dos sapatos de Patati e Patatá). Mas há quem tenha o pé muito grande, caso do jornalista Humberto Perón, 42 anos de idade, que calça número 45. “Tenho dificuldade de me posicionar em carros que tenham pedais muito pequenos. Evito usar papetes, pois já tenho os pés grandes e por esse tipo de calçado ter bordas de borracha, acabo muitas vezes freando e acelerando ao mesmo tempo, quase um ‘punta-taco’”. Nesse caso, ele deve ser multado?

Jornalista Humberto Perón: sapatos número 45 dificultam dirigir carros com pedais muito pequenos

Nada na lei diz claramente que não se pode dirigir com sapatos grandes, e a punição também é subjetiva. O agente de trânsito pode multar se entender que o sapato é muito alto, extravagante e está comprometendo a direção. A multa é no valor de R$ 85,13, mais quatro pontos na CNH.

Salto agulha, geométrico, meia pata, não são as melhores opções. Esse tipo de calçado é traiçoeiro e pode causar a falsa sensação de que, com ele, o pé "chegará primeiro" no pedal. Além disso, há o risco de enroscar. Uma rápida pesquisa nos revelou que a maior parte das mulheres guarda um arriscado par de chinelos no carro. E os motivos são vários, desde garantir a segurança a não estragar seus calçados. Nesse caso, o ideal é seguir o exemplo da bancária Lizihane Potenza, de 23 anos. Quando seu sapato não passa segurança para dirigir, ela dirige descalça. Não há citação na lei que obrigue o motorista a usar um calçado.

Para mulheres que defendem sua invencibilidade sobre os saltos, a seguradora de carros, casa e viagens na Austrália, Sheila´s Wheels, especializada em mulheres e que também faz sucesso no Reino Unido, criou um sapato com salto retrátil para presentear as clientes. Uma alternativa feliz, também, de evitar acidentes. O sapato deve ter patente, já que está demorando muito para outras marcas de calçados adotarem a ideia e criar sapatos mais bonitos e seguros de saltos retráteis. Enquanto a invenção não chega ao Brasil, vale deixar o feminismo um pouco de lado, afinal, salto alto e direção realmente não combinam.

Sapato de salto alto retrátil criado pela seguradora australiana Sheila´s Wheels é uma alterativa para evitar acidentes

Fonte: Autonews

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