Fiat 500 com motor de dois cilindros não apresentou muita vibração, mas, na faixa, de 4.000 rpm, o nível de ruído é um pouco elevadoVocê já dirigiu o Punto T-Jet? Se sim, gostou do desempenho? Provavelmente, a segunda resposta também foi afirmativa. Pois saiba que na Europa ele já mudou – para melhor. Na Itália, o Punto T-Jet já adota a tecnologia MultiAir, que garante melhorias na potência e no torque. A boa notícia é que, gradativamente, as inovações devem chegar ao Brasil, no próprio Punto e no 500 – para começar. Os motores MultiAir são dotados de um novo sistema eletro-hidráulico que controla a admissão da mistura ar-combustível. “A grande vantagem é a fácil aplicação em toda a linha de motores, pois não há necessidade de alterar a parte de baixo”, diz Carlos Henrique Ferreira, engenheiro e assessor técnico da Fiat.
A principal diferença em relação aos comandos de válvulas convencionais é que no MultiAir há um sistema eletrônico controlando válvulas solenoides. São elas que dosam a quantidade exata de ar e combustível que será despejada nos cilindros. “Hoje, um motor convencional tem limites para trabalhar na mistura ar-combustível. No MultiAir, ao contrário, as combinações são infinitas. Ele monitora a situação rapidamente e logo apresenta a melhor alternativa para aquele instante”, afirma o engenheiro da Fiat.
O TwinAir tem 875 cm3 e gera 85 cv (esquerda) e o MultiAir 1.4 emprega solenoides no comando de válvulasSegundo a montadora, o novo sistema garante 10% a mais de potência e 15% no torque. Quanto ao consumo, a redução pode chegar a 25%, afirma a empresa. Nossa “cobaia” de testes foi o Punto Evo Abarth, ainda não oferecido no Brasil. O esportivo tinha na Europa um motor 1.4 T de 155 cv e 23 kgfm. Com a nova tecnologia, os números subiram para 163 cv e 25,4 kgfm. No Brasil, o MultiAir deverá chegar no ano que vem, primeiramente no 500, ainda movido só a gasolina. Embora a Fiat não confirme, a versão flex está prevista para 2012, em modelos como Punto e Palio.
Pequeno notável
A maioria das montadoras tem apostado em motores de quatro ou três cilindros para carros pequenos. A Fiat decidiu seguir um caminho audacioso, com o bicilíndrico TwinAir. Quem está acostumado com motocicletas não estranha a presença de motores de dois cilindros. Mas como será o casamento dele com um automóvel – mesmo que ele seja pequeno? É isso o que fomos tirar a limpo na Itália. O TwinAir estreou em julho na Europa, sob o capô do Fiat 500. O que a gente queria saber era se questões como vibração, ruído e desempenho estavam bem resolvidas. Tiramos a prova na pista particular de Balocco, nas proximidades de Turim, sede mundial da Fiat. Com 875 cm3, a vibração é inevitável, mas foi reduzida. “Há um eixo que roda em sentido contrário ao motor, diminuindo significativamente a vibração”, informa Carlos Henrique Ferreira. Isso não incomoda, mas o ruído...
Alfa Romeo Mi.To já adota o motor 1.4 MultiairDo lado de fora é possível conferir um barulho diferente quando o carro é ligado. Embora a Fiat diga que ele é mais silencioso, a impressão é que ele ronca muito mais que o 1.4 convencional de quatro cilindros. Muito parecido com um carro a diesel, tem sido bem aceito pelos europeus, mas causaria grande estranheza aos brasileiros, acostumados com motores de ciclo Otto, mais silenciosos que os de ciclo Diesel.
Sobre o asfalto, o motor 0,9 l turbo (trabalhando com 1,5 bar de pressão) mostra as suas diferenças. Em quinta marcha, a 120 km/h, a rotação fica na faixa de 3.000 rpm, e não incomoda. Mas em terceira, a 80 km/h, ele fala alto, a 4.000 rpm. Em comparação com o 1.4 à venda no Brasil, o ruído é bem maior. Os engates do câmbio de cinco marchas também são menos precisos no 500 TwinAir.
Em questão de desempenho e economia, o motor se mostra eficiente. Gera 85 cv a 5.500 rpm e tem torque de 14,8 kgfm logo a 1.900 rpm. “Utilizando o etanol brasileiro, potência e torque podem aumentar”, conta Aldo Marangoni, vice-presidente de produto e engenharia da FPT. O consumo prometido pela Fiat é 30% inferior ao motor de quatro cilindros e a emissão de dióxido de carbono fica em ótimos 92 g/km, anuncia a empresa. Embora a montadora não confirme, o motor roda em testes pelo Brasil com a versão flex e, num período de 18 meses, deve chegar a modelos como Uno e Palio.
Câmbio de dupla embreagem por enquanto só está em dois modlos da Alfa Romeo, mas poderá chegar aos Fiat nacionaisA evolução do Dualogic
Esqueça os trancos do câmbio automatizado Dualogic, oferecido em quase toda a linha Fiat no Brasil. Uma nova geração está pronta na Itália, instalada em dois modelos da Alfa Romeo: Mi.To e Giulietta. Dotado de dupla embreagem, o câmbio automatizado Dual Dry Clutch Transmission (DDCT) é nada mais do que uma evolução do Dualogic. Com duas embreagens, sempre que uma marcha está engrenada, a seguinte já fica pré-selecionada. Com isso, as passagens são suaves, e as trocas, muito mais rápidas.
Enquanto eu guiava o compacto da Alfa, o meu passageiro, Riccardo Tosi, engenheiro da Fiat, dizia com seu sotaque típico da região da Toscana: “Solte as borboletas, deixe que o câmbio trabalhe por você”. Preferi ignorar e trocar as marchas no empolgante motor 1.4 turbo dotado de MultiAir. A facilidade de trocar as marchas diretamente no volante, sem ter que tocar a alavanca, garante desempenho ainda melhor. Há três opções de condução: Dynamic (esportiva), Normal e Weather (para neve, mas que também serve para pisos muito escorregadios). A tecnologia sai por 1.700 euros na Europa, ante 2.500 de um automático.
Rinaldo Rinolfi, responsável pelo Centro de Pesquisa FPT, define a utilização da novidade: “Substituir os automatizados por esses de dupla embreagem é uma questão de tempo, evolução do mercado”. Ele não
confirma, mas com o tempo a nova transmissão DDCT deve passar a ser produzida no Brasil, a exemplo do que ocorre atualmente com a Dualogic.
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