Fenabrave - SC

30/08/2011

Ford Fusion Hybrid na prova dos 1.000 km

O plano inicial era audacioso: ver se o Ford Fusion Hybrid conseguiria ir de São Paulo até o Rio de Janeiro e voltar à capital paulista com apenas um tanque de combustível – além de rodar no ciclo urbano das duas maiores cidades do país. Pelos dados da Ford, o sedã executivo é 9% mais econômico que um Ka 1.0 Flex. Mas seriam quase 1.000 km de estrada e cidade, uma tarefa nada simples.

Pois bem, saí da redação de Autoesporte, passei no posto de combustível e completei o tanque com gasolina – são 66 litros. Depois, segui para casa. A viagem começou no dia seguinte, pela manhã. Ao todo foram 951 km percorridos. No início da viagem, flagrei o computador de bordo marcando 6,9 litros por 100 km, o que significa que o sedã de quase 1,7 tonelada estava consumindo uma média de 14,5 km/l.

A essa altura, estava tão engajado na tarefa de fazer o Fusion híbrido cumprir a meta que me peguei dirigindo um tanto abaixo da velocidade máxima da pista (110 km/h). À direita do velocímetro, uma verdadeira floresta de folhas verdes se formava para me incentivar a dirigir de forma ecológica (vocês entenderão mais abaixo). O computador de bordo indicava 831 km de autonomia. É bastante, mas não daria conta.

Segui mais um tempo tentando alcançar a média rodoviária indicada pela Ford, de 18,4 km/l – uma marca incrível se levarmos em consideração o padrão brasileiro dos carros flex. Mas após três horas seguidas de estrada, percebi que aquele era o melhor que eu conseguiria extrair do Fusion híbrido. E, sinceramente, estava muito bom! Parei de ficar na fissura do consumo e fui aproveitar o alto conforto oferecido pelo sedã.

Entre ser viável e ser carro de imagem

Foram quatro dias circulando com o Ford Fusion Hybrid em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nas ruas, é um carro que chama a atenção apenas pelo porte e elegância. Visualmente, a versão híbrida é idêntica às normais, equipadas com motores a combustão. Justamente por isso, o Fusion “verde” quase não é notado. É um carro como outros tantos. Mas quem está dentro imediatamente percebe as diferenças.

Primeiro, ao girar a chave e dar a partida não se ouve absolutamente nada. Apenas o motor elétrico é acionado. Não há qualquer ruído ou vibração. Imediatamente, o quadro de instrumentos “se abre” e duas telas de cristal líquido projetam imagens que deslizam pelas laterais do velocímetro – único relógio, centralizado na peça. Ali é possível conferir todas as informações de bordo do veículo.

Comparado aos carros “normais”, o Fusion Hybrid parece estar muito à frente. Parece do futuro. E não necessariamente há elementos futuristas a bordo. Na verdade, quase tudo na cabine pode ser encontrado em outros modelos. Mas é como se a versão híbrida falasse com o condutor o tempo todo. Pode-se acompanhar tudo que está acontecendo no modelo. A tecnologia embarcada impressiona.

Alta interatividade verde

O tempo inteiro em que se está ao volante, o Fusion híbrido tenta te fazer dirigir de forma ecológica – as plantinhas que “nascem” no painel são apenas um dos “estimulantes”. Nele, o motorista acompanha tudo. Cada vez que se pisa mais fundo no pedal do acelerador, imediatamente o motor a combustão é notado. No modo elétrico, a velocidades de até 75 km/h, não se ouve nem se sente nada.

O Fusion híbrido, como o próprio nome indica, usa dois motores. O elétrico produz 107 cv de potência e um torque de 22,9 kgfm. Sua bateria de níquel-metal é recarregada durante as frenagens e com o próprio funcionamento do motor a combustão, um 2.5 a gasolina de ciclo Atkinson. Este logo é percebido quando entra em ação: ouve seu ronco vindo da frente e sente-se uma pequena vibração – mas nada demais.

A Ford diz que a potência combinada dos dois motores é de 193 cv. O gerenciamento da energia é feito por um câmbio automático continuamente variável (do tipo CVT). Em nosso teste, a aceleração de zero a 100 km/h foi feita em 10 segundos. E esse tempo mostra claramente que, apesar de oferecer potência equivalente à de um motor V6, o negócio do Fusion Hybrid não é acelerar para valer. É poluir menos.

Tecnologia funciona, mas ainda é pouco viável

O Fusion híbrido, como previsto no início, não completou o trajeto proposto por Autoesporte com apenas um tanque. Mas mostrou boa economia. Ainda no Rio, mesmo após ter rodado mais de 600 km, o ponteiro ainda mostrava ¼ de combustível. Como era preciso voltar para São Paulo, optamos por completar antes da partida. Dessa experiência, ficou muito claro que a tecnologia híbrida é altamente viável, sobretudo em países onde ainda não há estrutura – nem previsão dela – para modelos elétricos. Mesmo quando levado a um ritmo mais agressivo, o maior consumo médio feito pelo sedã “verde” da Ford foi de 10,6 km/l.

Contudo, o preço que se paga por um veículo híbrido hoje ainda é irreal. Nos Estados Unidos, o Fusion Hybrid custa US$ 28.600, o equivalente a R$ 46.000 (sem impostos). No Brasil, o modelo tem preço sugerido de R$ 133.900, valor quase três vezes maior que o pedido no mercado norte-americano. Detalhe: o Fusion é produzido no México. Ou seja, o Fusion híbrido por aqui é um carro que vende imagem. Parece que a única coisa que pode reverter isso é a lei de emissões. Mas isso é coisa do futuro.

 

 

 

 

 

Fonte: Revistaautoesporte

Imprimir
Fenabrave-SC © Todos os Direitos Reservados
Rua: José Ferreira da Silva, 43 Térreo
Centro – Itajaí SC – CEP 88301-335
Fone (47) 3241 0330
by Ksys